É possível encontrar representações de cavalos malhados em pinturas rupestres com mais de 20.000 anos. O gene Appaloosa, responsável por este padrão de manchas, está presente em várias raças equinas. No entanto, o cavalo Appaloosa é uma raça distinta, cuja origem remonta às tribos nativas Nez Perce, estabelecidas no noroeste dos Estados Unidos.
Neste artigo do Blog Pavo, damos a conhecer uma raça de beleza singular, mas também conhecida pela sua funcionalidade, versatilidade e carácter dócil.
História da raça
O nome Appaloosa deriva do rio Palouse, região onde estes cavalos eram criados.
Inicialmente, os cavalos com este padrão característico eram conhecidos como Palouse horses (cavalos do Palouse). Com o passar do tempo, a designação evoluiu para Appaloosa.
Quando as tribos nativas foram confinadas a reservas, foi ordenada a eliminação dos seus cavalos, considerados um importante recurso militar. A raça esteve perto da extinção, uma vez que muitos animais foram abatidos e outros cruzados com diferentes raças.
O interesse crescente pelo Appaloosa durante o século XX levou à criação do Appaloosa Horse Club, em 1938, no estado de Idaho. Em 1975, o Appaloosa foi oficialmente reconhecido como o cavalo símbolo desse estado norte-americano.
À medida que a raça se difundiu pelo mundo, foi recebendo influência de outras raças locais, de acordo com a utilização pretendida. O cruzamento com o Quarto de Milha, por exemplo, tornou-o particularmente apto para o trabalho com gado.
Com a evolução do seu papel de cavalo de trabalho para cavalo de desporto, o Appaloosa passou também a destacar-se em disciplinas como a equitação western, raid, trail e TREC.
Padrões de pelagem do Appaloosa
Padrão manta
Caracteriza-se por uma cor base sobre a qual surge uma grande mancha branca na garupa, podendo estender-se até próximo da cernelha.
Esta mancha pode apresentar pintas no seu interior ou ser totalmente branca.
Padrão leopardo
Neste padrão, a pelagem branca apresenta manchas escuras distribuídas por todo o corpo, de tamanho relativamente uniforme.
Padrão ruão com manta
Semelhante ao padrão manta, mas com uma cor base ruã.
Padrão ruão e padrão sólido
Nestes casos, não existem as típicas manchas associadas à raça. Para que o cavalo seja registado como Appaloosa, deverá apresentar outras características raciais.
Os limites entre os diferentes padrões nem sempre são fáceis de definir e existem inúmeras combinações possíveis. Além disso, a terminologia varia de país para país, podendo encontrar designações como marmoreado, malhado, flocado ou nevado.
Principais características do Appaloosa
- Pelagem característica
- Esclerótica visível - A esclerótica é a parte branca do olho. Na maioria dos cavalos, apenas é visível quando o animal movimenta o olho para posições extremas. No Appaloosa, é comum estar visível mesmo em posição normal, sendo uma característica típica da raça.
- Cascos com riscas verticais - Os cascos apresentam frequentemente estrias alternadas claras e escuras.
Com estas três características já se pode diferenciar um Appaloosa, mas tem outras características menos evidentes:
- Cabeça e conformação - Possui cabeça de tamanho médio, perfil reto e olhos de cor variável.
- Crina e cauda - A crina e a cauda tendem a ser menos abundantes e mais curtas do que noutras raças. Pensa-se que esta característica esteja relacionada com o mesmo gene responsável pelo padrão de pelagem.
- Alterações da cor com a idade - Tal como acontece nos cavalos tordilhos, alguns Appaloosa nascem mais escuros e vão clareando com o passar dos anos.
- Zonas despigmentadas - É comum apresentarem áreas despigmentadas à volta dos olhos, narinas e órgãos genitais. Estas zonas são mais sensíveis ao sol e devem ser protegidas com protetor solar.
- Morfologia variável - Os exemplares com maior influência do quarto de milha apresentam posteriores muito musculados e garupa arredondada. Já os que possuem maior influência árabe são mais elegantes e próximos do tipo original criado pelos Nez Perce.
Com um peso médio entre 400 e 500 kg e uma altura entre 145 e 165 cm, o Appaloosa é um cavalo versátil, dócil e funcional, adequado tanto para a prática desportiva como para utilização familiar.
Cegueira noturna congénita estacionária
A presença do gene Appaloosa está associada a um risco acrescido de desenvolver uma condição denominada cegueira noturna congénita estacionária, uma alteração visual que dificulta ou impede a visão em condições de pouca luminosidade. Esta doença manifesta-se apenas em cavalos que possuem duas cópias do gene LP (Complexo Leopardo), situação que ocorre em cerca de 30% dos animais da raça.
A transmissão é autossómica recessiva. Isto significa que um animal portador pode transmitir o gene à descendência sem que esta manifeste a doença. No entanto, quando dois portadores são cruzados, existe a possibilidade de nascer um potro afetado.
Felizmente, existem atualmente testes genéticos que permitem identificar os animais portadores, contribuindo para reduzir a incidência desta condição.
Por esse motivo, não se recomenda a reprodução de animais afetados e é aconselhável realizar testes genéticos aos reprodutores com potencial para transmitir a doença. O conhecimento genético e uma seleção responsável são fundamentais para preservar a saúde e o futuro da raça Appaloosa.
